quarta-feira, 22 de abril de 2009

O Jantar da Morte ou Derrota pela Hospitalidade


Bem pessoas, este será o posto mais longo até aqui. Julguem vocês se a história vale a pena o esforço de ler ou nao.


Estávamos lá em Milão eu e o Duque hospedados na casa de uma amiga que conhecemos em Madrid. Logo no primeiro contato já percebemos que o povo italiano é muito mais simpático que o espanhol. Eles sorriem mais, são mais educados e comem de um jeito mais feliz.

Pois bem, falemos de comida, mais especificamente de nosso primeiro jantar na casa. Só pra deixar registrado: nunca na história conhecida algum jormat se deu por vencido numa mesa; mesmo após inúmeros rodízios, outbacks e até um fogo de chão, nunca nenhum jormatiano hesitou diante de uma mesa ou disse um "não" ou um "sim" dirfançando uma derrota.

Entonces, continuando. Na Itália as refeiçoes sao assim: tem o primeiro prato (geralmente alguma massa), o segundo prato (geralmente a carne) e depois a sobremesa, tudo sempre bem acompanhado de um ótimo vinho.

E lá estávamos eu e o camarada Duque sentados à mesa com a familia de nossa anfitriã esperando a bóia pra sair de baladinha depois. Primeiro fomos apresentados ao Lambrusco, que na minha experiencia pessoal foi o melhor vinho que bebi até hoje (sério gente, o negocio era realmente diferenciado) e logo vieram os pratos.

Primeiro chegou um quilo de massa, macarrão penne fumê, um lance meio bacon, meio molho vermelho e meio molho branco, ótimo, foda pra caramba. Os sete presentes na mesa pegaram a sua parte e comeram, alguns ali mesmo já ficaram satisfeitos, como nossa anfitriã.

Em segundo chegou um super espaguete com frutos do mar (lula, polvo, camarao e etc...). Para nao fazer desfeita na casa dos gringos, o camarada Duque e eu rapamos o penne fumê primeiro, pra nao sobrar nada, e entao fomos pro espaguete já mais ou menos cheios. Todo mundo já tinha comido sua parte mínima do espaguete, mas ainda faltava pouco menos da metade. 

Num gesto cheio de educação, o camarada Duque e eu fizemos um pequeno esforço de guerra e papamos o que restava do espaguete sozinhos, assim os cozinheiros, pais da nossa anfitriã, ficariam felizes achando que nos estávamos super felizes com a comida super boa, seríamos ótimos convidades e eles otimos cozonheiros. E logo vinha a sobremesa e depois a baladinha.

E enquanto comíamos lá o resto do espaguete felizes e soltos nossos anfitrioes faziam piadas, nos ensinavam algumas coisas sobre a Itália e apesar de nem eu nem o Duque falarmos italiano, eu posso dizer que a comunicação foi muito produtiva e que eu ri muito enquanto comia, falamos sobre futebol (o cara acompanhava até o campeonato mineiro, juro), comida no brasil, italianos, Berlusconi, intercambio, faculdade e etc. Mas a parte feliz do jantar acaba aqui.

Após matarmos o resto do espaguete, Duque e eu estávamos cheios, tanque cheio como depois de um rodízio (sério pessoas, era muita massa). E eis que a mae de nossa amiga anuncia, "tudo bem entao, vou lá pegar a carne agora"...

PERAÍ!! Ela ia pegar A CARNE AINDA???

Perguntamos pra nossa amiga o que significava tudo aquilo. "Ué, mais voces sabem que aqui é assim, tem o segundo prato". "Tudo bem, mas e esse espaguete que comemos agora?". "Ah, essa era a segunda parte do primeiro prato".

Nao havia saída, afrouxamos o cinto e o zíper das calças e pra nao fazer desfeita ante o grande preparativo para nos receber, depois de alguns momentos de hesitação (VERGONHA!) ficou decidido que iriamos encarar a carne.

E eis que chega uma pirâmide feita de filés de frango empanados junto com uma cesta cheia de batata frita e uma travessa de salada. Num esforço descomunal, comemos a batata e alguns filés, afinal estamos falando de um legítimo filé a milanesa com batatinha frita... Pessoalmente, nem no dia que comi 22 pedaços de pizza tinha comido tanto até aquele momento.

Todos já haviam comido, mas ainda faltava pouco menos de metade da pirâmide pra comer, e já nao havia mais espaço sequer para a sobremesa, respirávamos com nítida dificuldade enquanto éramos tomados pelo sentimento de derrota ao ver que ainda tinha muita carne pra se comer e pior, pela primeira vez na minha deixei batatas fritas sem serem tocadas na mesa.

Claramente abatidos, desmotivados e 2 quilos mais gordos, os envergonhados jormats à mesa jogaram a toalha e encerraram com o segundo prato naquele nível mesmo. Enquanto pensávamos que algum doce de sobremesa pudesse ainda entrar por nossas bocas, eis que se escuta na sala. "Tá certo, vou pegar os queijos entao".

QUEIJOS??!?!?!?!?!?!? QUEIJOS?!?!?!?!?!?

"É, meus pais compraram uns quejos pra voces provarem, depois chega a sobremesa". O desespero nos rostos dos jormats era tao evidente quanto o frio do pólo norte. "Mano, ainda vem o queijo!!!!! O QUEIJO!!!""".

Pois é, a hospitalidade italiana nao tinha limites, ainda vinham os queijos. Assim as garrafas vazias de Lambrusco foram substituídas por novas, foram colocados enormes pães à mesa e logo vieram o queijos... mas meus amigos, e que queijos...

Juro que foi o queijo mais bonito que vi na vida, parmesão de Parma. Na boa, o negócia era uma diamante amarelo brilhante fosco de tao bonito, e tinha um cheiro melhor que loira com Channel #5 dentro de uma Ferrari recém saída da fábrica. Mas eu já nao tinha como... era como botar a Miss Universo na frente do Stephen Hawking, o cara com ctz curte, mas tem seus limites infelizmente.

Porém, empurrados pelo mantra da noite entoado por nosso afitrioes ("Mangia che ti fa bene!", come que te faz bem), sempre com um sorriso no rosto, provei eu do melhor queijo que já testemunhei existir. Seguindo as instruiçoes, repetia a sequencia pao, queijo e vinho diversas vezes até pelo menos o queijo que haviam colocado no meu prato desaparecesse. A essa altura so eu e o Duque comiamos, logicamente nao se comia tudo aquilo na casa da menina todos os dias, os italianos já tinham parado de comer na massa, aquile banquete todo tava lá pros jormats, era nossa obrigaçao responder à altura.

Nitidamente bobos, quse babando, com o umbigo virando do avesso, respirando como grávidas tendo contraçoes a 10 minutos do parto, terminamos os queijos e finalmente veio a sobremesa. Na época de Páscoa, advinha o que era... Colomba Pascual, de supermecado mesmo. Como entre se fuder e se fuder e meio tem pouca diferença, o aroma de açucar desfastigou um pouco nosso apetite e comemos uma pequena fatia da iguaria, mas que pareceu a maior fatia de colomba que já havia comido na história.

E quando pensamos que já estava tudo acabado, nos é oferecido o tradicional cafezinho pós refeiçao. Nem lembro se eu aceitei ou nao, já tava batendo asa, procurando a salvaçao enquanto olhava bobo pro teto e tentava nao deixar minha barriga rasgar. Aí eu embro que eu ouvi:

"Nao papai, eu já mostrei limonccello pra eles em Madrid, eles tomam, pega lá pra eles tomarem". E lá foi o pai da menina pegar o limonccello pra gente tomar, uma bebida que parecia um licor de limao, pra se tomar em pequenas doses (graçias a Dios...). "É pra ajudar na digestao", disse o nosso sempre simpatico cozinheiro italiano.

Bom, a aquela altura so uma cirurgia de emergencia ajudaria minha digestao, mas enfim... fomos ao limoncello... E finalmente acabou o jantar...

Depois de irmos para o quarto descanser depois de um jantar no qual se perdeu a noção do tempo, ficamos uns 10 min apoiados na parede em posiçao de revista policial, pra tentar respirar melhor e aliviar a pressao estomacal, ate mesmo porque já nao conseguiamos mais sentar.

Logicamente, nao houve baladinha depois, fomos vergonhosamente derrotados num jantar. Vergonhosamente nao, porque essa familia conseguiu o que nem o Fogo de Chao conseguiu, a hospitalidade italiana fez o que nenhuma gula jormatiana havia conseguido. Na boa, eles estavam de parabéns... vinho Lambrusco, primeiro prato, segunda parte do primeiro prato, carne com batata, queijos (eu só comi um tipo, mas tinha uns 4 diferentes na mesa), sobremeses, limonccello...

E assim acabou nossa primeira noite na Itália...

"Mas filha, porque seus amigos nao querem sair mais agora? Foi a comida? Eles comeram demais?"

"Nao mae, eles falaram que estao cansados, que tinham passado a noite no aeroporto e que era melhor dormir por hoje, nao foi nada da comida, eles até comeram tudo que voce fez hoje..."

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Itália!!!

Coisinhas lindas do papai,

Voltamos da Itália e Marrocos e agora a Ferveción volta a sua sede original de Madrid. Nos próximos posts eu e o Rodolfinho vamos contar algumas histórias da terra do Papa e a Be e o Silvio, quando tiverem tempo, da fundação da república AL Ferveshab na África. Por enquanto deixamos um videozinho pra vocês.





Ciao!!!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Recesso! Sem fazer essa cara, pessoal...vai...




Personas e leitores do blog,

Até mais ou menos dia 17 o blog estará em recesso. Mas nao fiquem com cara de mal amados como nosso amigo ao lado qdo recebeu a notícia. Há motivos:

Silvio e Bê foram pro Marrocos (chupa Fred! que nunca acreditou que chegaríamos lá...) comprar uns camelos e passar umas noites refletindo no deserto e acordando com sol no coco.

Sexta eu e o Duque rumamos pra Itália, vamos tentar arrumar um autógrafo do Papa à pedido de amigos, provar uma pizza de verdade, brincar de lutinha no Coliseo, corrida de galinhas no Circo Máximo, King Kong na torre de Piza e tirar fotos com a Cicciolina pra botar no orkut.

Rezemos para que o cisto que o Duque ganhou no cóstex (aquela parte do corpo que esqueci onde fica, mas o Piero sabe) nao comece a doer de novo, senão aí o bicho pega e nao haverá remédio que impessa nosso peludo companheiro de ir jogar damas com o Ulisses Guimaraes.

Na volta teremos mais posts sobre as viagens (logico) e alguns posts mais "cabeça", sobre as manifestaçoes estudantis aqui em Madrid (protocolo de Bologna, separaçao por nota no exame de admissao e etc...)

Sucesso Juventude

 
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